Ideias, Notícias

From Havana with Love

Quando Fidel Castro diz, publicamente, que modelo económico de Cuba não funciona no país, é tempo de os simpatizantes do comunismo arregalarem os olhos e contemplarem a ascensão do capitalismo.

Ora, é importante  explicar que Fidel se refere ao modelo económico, e não aos princípios ideológicos da Revolução que depôs Baptista. O que aconteceu foi que Fidel finalmente compreendeu que a regulação total da economia pelo Estado não cria condições económicas suficientes para assegurar que o país escapa à crise global. Ainda para mais, quando Cuba depende excessivamente de importações, turismo e exportação de matérias primas, e está sob um embargo económico dos EUA há 48 anos.

Os números são simples e redondos, e fariam Keynes dar voltas no caixão: o Estado controla 90% da economia, e emprega 75% da população. Também as peculiaridades do sistema económico cubano são curiosas e estranhas a habitantes de um país verdadeiramente democrático e sustentado por uma economia público-privada: as raras empresas privadas em Cuba têm obrigatoriamente de contratar trabalhadores a agências do Estado; o salário médio é de 100 pesos cubanos (cerca de 15 euros); saúde, educação, transporte e habitação são praticamente ou totalmente gratuitas; a alimentação é feita graças a senhas de racionamento distribuídas pelo Estado, que podem depois ser trocadas por outros bens. (factos retirados do Jornal i)

Estranhamente, Cuba está mais bem situado no Índice de Desenvolvimento Humano do que a maior parte dos países da América Latina. Beneficiando de um clima social relativamente pacífico – pela manutenção dos ideais da Revolução, de subsídios da URSS – que começaram a escassear nos anos 80, cessando por completo depois da queda -, Cuba conseguiu manter-se à tona de água. Depois da queda da URSS, o governo cubano aligeirou a política de restrição económica, permitiu a introdução do dólar americano em negócios e apostou em desenvolver o turismo.

O Estalinismo foi uma traição ao comunismo, o modelo Marxista-Leninista claramente não passa de uma utopia – nem na de Thomas More -, o Trotskismo é visto como uma revisão ideológica baseada na Revolução Permanente.

Sejamos realistas: no século XXI, nenhuma forma de comunismo é sustentável, está claramente esgotado. Ideologicamente, é apaixonante, economicamente é irrealista. É uma questão de escolha: a desigual distribuição da riqueza, ou a igual distribuição da miséria.

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