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negative form – see, listen, talk

Peter Adriaenssens, membro da comissão independente estabelecida para investigar a culpa da Igreja Católica em mais 475 casos de pedofilia infantil, considera “que não se trata de simples acusações sexuais… foram provados casos de abuso sexual”. Apesar de metade dos culpados já ter falecido, e depois de 6 tentativas e 13 suicídios de vítimas, é preciso urgentemente abrir uma investigação para fazer face à prescrição dos casos – decorreram nas décadas de 50, 60 e 70.

O Vaticano reviu recentemente as regras sobre pedofilia: o tempo de prescrição passa dos 10 para os 20 anos, podem também ser julgados cardeais, bispos e patriarcas, apenas com mandato prévio do Papa. Parece tudo muito bem, mas é absolutamente ridículo julgar estes crimes internamente – enfim, é o problema de o Vaticano ser um estado independente. Pedófilos são pedófilos em qualquer parte do mundo, em qualquer religião. É necessário acabar com a impunidade penal para estes casos. As queixas têm de ser entregues a tribunais civis. Obrigatoriamente, para bem da sociedade.

Em Março deste ano, até o irmão do Papa, arcebispo na Alemanha, Georg Ratzinger. É acusado pelos rapazes do coro de Ratisbona de ter conhecimento dos abusos entre 1964 e 1994.

Em Junho, o Vaticano protestou contra a abertura de túmulos de dois arcebispos de Maline-Bruxelles, pela polícia belga, na senda de investigações de abuso sexual. Fofo fátuo. Um dia depois, o arcebispo de Bruges demitiu-se depois de, ele próprio, ter admitido ter abusado sexualmente de crianças. Isto é ridículo! Não pode haver confissão mais exposta e directa do que esta! A hipocrisia é tanta que já protestam contra a execução da justiça. O Vaticano tem de acabar com esta protecção anticonstitucional e antimoral, de admitidos pedófilos, sob pena de perder toda a sua credibilidade.

É preciso lembrar que, ainda este ano, o Vaticano considerou oficialmente, com toda a calma do mundo, que a ordenação sacerdotal de mulheres é um crime tão grave como a pedofilia. E ainda que, entre 2001 e 2010, houve registo de 3000 acusações de pedofilia no seio da Igreja Católica. Até agora, o único castigo aplicado, pelas palavras do Ministério Público do Tribunal da Congregação para a Doutrina da Fé, “os culpados foram reduzidos ao estado laico, ou seja, não podem mais dar sacramentos”; “principalmente por causa da idade avançada dos acusados, não se inicia qualquer processo, mas são tomadas medidas disciplinares”.

A declaração mais cómica/preocupante foi a do principal exorcista da Santa Sé: “O Diabo está a trabalhar dentro do Vaticano”.  É bem capaz de ser a justificação mais ridícula de sempre. Pede-se um julgamento civil, se necessário, pelo Tribunal Internacional. Espera-se que a bomba chegue inevitavelmente a Portugal.

A Igreja já não está na Era Medieval. Quem dita as regras agora é a sociedade. Nietzsche e Marx tinham claramente razão.

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