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Uma semana interessante, esta que passou. Ficou marcada pelas bacoradas e erros de políticos.

Em primeiro lugar, a gaffe de Almeida Santos, presidente do PS. Disse que “o povo tem que sofrer as crises, como o Governo as sofre”. É uma falta de consideração e de realismo para com os portugueses, pouco tempo depois de Sócrates ter anunciado (finalmente, diga-se de passagem) as medidas de austeridade. Parece-me óbvio que comparar o sofrimento de um Governo – que no máximo vê o Orçamento “chumbado” ou uma descida nas sondagens de intenção de voto – com o verdadeiro sofrimento de pessoas com contas para pagar é mais uma enorme hipocrisia, a juntar às que o PS já criou. É, ainda, uma tentativa de desresponsabilização e vitimização do partido no Governo.

Depois veio mais um deputado do P dizer em pleno Parlamento, que com os cortes que sofreram os deputados, mal tem dinheiro para comer. Enfim…

Por fim, só faltava Sócrates, numa medida a la Hugo Chávez – como foi apontado por Marcelo Rebelo de Sousa -, vir ocupar as televisões (RTP e TVI) para ganhar tempo de antena.

“Isso é partir do princípio de que teria sido melhor para o país tomar as medidas em Maio. Eu não estou convencido disso.”

Mas esta crise é trimestral? É óbvio que em Maio estas medidas já eram mais do que necessárias. Já são necessárias desde o início da década. Sócrates aproveitou este tempo para fazer uma estimativa de crescimento económico totalmente falsa, com o único objectivo de ressuscitar os mercados. Como era possível o Banco de Portugal estimar crescimento económico, quando todas as agências de rating assinalavam a inércia governamental do país?

O Primeiro Ministro argumentava que a Espanha já tinha aplicado as mesmas medidas e que tinha visto o desemprego aumentar e o princípio de uma recessão. Mas isso é óbvio para qualquer cidadão comum. É perfeitamente claro que estas medidas têm como consquência  uma recessão interna.

Sócrates esperou tanto tempo por uma retoma económica miraculosa que, agora, não só vamos ficar mais pobres, como uma maior percentagem do dinheiro que vamos descontar vai servir para pagar os juros da dívida (que, obviamente, aumentaram como resultado das sucessivas descidas no rating).

A situação mais cómico-trágica é a dos submarinos. Encomendados por Paulo Portas, numa iniciativa inútil e ridícula, passaram sempre aprovados por um governo PSD de Durão de Barroso, e dois governos PS. Sócrates quis colocar a despesa no Orçamento de Estado de 2011/2012, mas Merkel – e muito bem – “obrigou-o” a colocá-la no Orçamento deste ano. Portugal é governado a partir de Bruxelas e Nova Iorque, isso toda a gente sabe. E ainda é o que nos vai safando.

“Os contribuintes não vão pagar nada porque estes fundos [de pensões da PT] foram provisionados”

Lá voltamos nós à “hipoteca das gerações futuras”, como alguém já tinha dito. Parece muito bem utilizar o fundo de pensões da PT para gerar receita. Falta dizer que alguém vai ter de o repôr. E quem será? A geração seguinte, pois claro. É um empréstimo da PT ao Estado, a uma taxa de juro desconhecida, como disse João Duque.

“Quando um governo diz que congela as pensões quer dizer que todos os pensionistas receberão em 2010 o que recebiam em 2009”

Agora não se trata de um erro ou uma gaffe, mas de um subterfúgio – em que Sócrates é mestre. É que, de facto, as pensões serão congeladas, o que quer dizer, teoricamente, que receberão o mesmo este ano. Porém, a tributação de IRS sobre as reformas será aproximada à taxa indexada aos rendimentos do trabalho. Ou seja, os reformados receberão, realmente, menos este ano.

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