Ideias

press freedom

Há qualquer coisa de profundamente filosófico no trabalho de jornalistas e repórteres de investigação. Dar a conhecer o mundo, ao mundo e pelo mundo. Quando uma reportagem da CNN nos chega às televisões, ou desfolhamos as páginas do The New York Times, chega apenas uma parte do trabalho de um repórter. Por Baghdad e Kabul, por exemplo, ficam os perigos e quase-mortes.

Liberdade de imprensa, de expressão e de pensamento. Foi isto que conseguimos com o “25 de Abril”, com o “Maio de 68”, com a “Primavera de Praga” e a Revolução Francesa.

CUBA


Cuba. O expoente máximo do comunismo dos anos 60 (mais uma vez, não considerando a URSS como verdadeiro comunismo, mas como Estalinismo). Um albergue de ideias revolucionárias e de liberdade, personificadas por Che Guevara.A popularidade do blog “The Generation Y”, de Yoani Sanchez, converteu-a numa das pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista TIME em 2008. As aguçadas críticas da blogger cairiam “no goto” do governo de Raul Castro. O seu nome foi arrastado na lama e difamado, acusada de mercenária ao serviço de um país estrangeiro.Como ela, também Orlando Luis Pardo e Luis Felipe Rojas, sendo este último preso duas vezes em 2009. Continua em prisão domiciliária.
Darío Alejandro Paulino Escobar, foi expulso da Universidade de Havana, em Janeiro último, por ter criado um grupo no Facebook, onde inseria notícias da União de Jovens Comunistas.

Neste país da América Central, os bloggers podem receber até 20 anos de prisão, se escreverem um artigo “contra-revolucionário” num blog internacional, ou até 5 anos, se se tentarem ligar à rede internacional.
Até aqui, a desculpa dada pelo Governo era que o embargo americano impedia a ilha de se ligar ao resto do mundo. Quando a fibra óptica submarina for instalada, pelos USA, Raul Castro vai ter de encontrar outra desculpa.

Infelizmente, continuar com este registo por todo o globo, levaria a um post incrivelmente longo; tão longo que seria impossível de ler e de escrever. Como tal, vamos manter-mo-nos, por agora, pela Europa e China.

BIELORRÚSSIA


Alexander Lukashenko é presidente do país desde 1994, o que só por si já deixa algo a desejar. A imprensa livre e independente foi erradicada. O Estado detém o monopólio das empresas e fábricas de publicação e impressão, o que facilita a censura de artigos indesejados. Ainda assim, há heróicos jornalistas que arriscam distribuir as suas publicações independentes clandestinamente. Se isto não é altruísmo, então não sei o que será. Se isto não é digno de Nobel, então nada o é. E tudo se passa num país da União Europeia.

 

 

ESPANHA


José María Portel, José Javier Uranga, José Luiz Lopez de la Calle, Gorka Landaburu foram vítimas de atentados da ETA; dezenas de jornalistas espanhóis são protegidos regularmente por guarda-costas.O grupo separatista basco alega que os jornalistas espanhóis distorcem os factos por detrás dos atentados, com o apoio de comissários políticos e editores.

 

 

 

 

 

CHINA

Pelo bem-estar das finanças nacionais, Portugal estabeleceu assinou um importante acordo de exportação com a China. Sacrificando os princípios, em troca de yuans.O Nobel da Paz de 2010, Lu Xiaobo recebeu a notícia da organização sueca na cadeia. Numa reportagem da TVI, em Belém durante a visita de Hu Jintao, nenhum dos presentes o conhecia.

A China assegura a “sociedade harmoniosa”, nas palavras do Presidente, reprimindo qualquer surgimento de imprensa livre, com a polícia, ciber-polícia e departamento de propaganda. A hipocrisia é tanta, que Hu Jintao diz publicamente que apoia a imprensa independente, apesar de o seu regime comunista, um dos mais conservadores do mundo, restringir a liberdade de imprensa a todos os níveis.
Ordenou a perseguição dos assinantes do documento pro-democrático Charter 08. O seu arquitecto, criador e motivador? Liu Xiaobo, foi condenado a 11 anos de prisão.

O Tibete, administrado pela China de forma repugnante, é apenas acessível à imprensa internacional mediante autorização expressa do governo. Desde Março de 2008, quando os habitantes se começaram a revoltar contra a opressão do Estado chinês, 50 pessoas foram presas por fazerem circular imagens, vídeos ou reportagens sobre o estado da província.
Durante os Jogos Olímpicos de Pequim, os casos de mortes de crianças por ingestão de leite contaminado foram censurados pelo Governo. A desinformação das famílias conduziu a mais centenas de mortes.
Entretanto, os “prisioneiros olímpicos”, como Hu Jia, continuam presos desde 2008, por exigirem democracia.

 

ITÁLIA


Cosa Nostra, Camorra, Sacra Corona Unita e ‘Ndrangheta. Comerciantes, empresários e juízes não são as únicas vítimas do crime organizado em Itália.Roberto Saviano, autor do livro “Gomorra” – adaptado a cinema – que cobre a máfia italiana, continua a ter de viver sob protecção policial. Como ele, dezenas.Entre ameaças de morte, carros e casas vandalizadas, centenas de jornalistas italianos são vítimas da máfia italiana.

Os tempos da máfia romântica de “Scarface” e “O Padrinho” há muito se desvaneceram. Resta a máfia violenta e sem princípios.
SIlvio Berlusconi diz que lhe apetece “esganar” os realizadores e jornalistas que transmitem uma má imagem de Itália, ao focarem-se na máfia.

 

TCHECHENIA


Ramzan Kadyrov, o “cão de guarda de Putin”, partilha com este o gosto por uma linguagem rude e acção forte. Presidente da república russa no Norte do Cáucaso, trouxe a calma à região, depois de duas guerras consecutivas devastadoras.

O preço a pagar pela estabilidade – superficial, diga-se – foi a introdução de um regime com menos leis que o Faroeste Americano.A repórter Anna Politkovskaya, e a activista para os direitos humanos Natalia Estemirova, foram baleadas, por terem audaz e vivamente criticado a “questão Tchechena”. Em resposta às acusações das organizações para os direitos humanos, Kadyrov respondeu: “Isso é mentira; são apenas rumores”.

São criados novos jornais todos os anos, com o apoio de Moscovo, de forma a que pareça que existe liberdade de imprensa. Não vale a pena acrescentar que Kadyrov acusa os jornalistas estrangeiros de distorcer a realidade.

 

DADOS de 2010


37 jornalistas mortos, dos quais 8 no México, 5 no Paquistão e 5 no Iraque.

2 assistentes de media mortos, no Iraque e Paquistão.

157 jornalistas presos: 31 na China, 30 na Eritreia, 25 no Irão, 11 no Usbequistão.

113 bloggers presos: 75 na China, 16 no Irão, 9 no Vietname.

 

 

Quando ler um jornal, quando ler um blog lembre-se dos repórteres que lhe trazem os artigos.Quando criticar Portugal, exagere nos argumentos. Critique tudo e todos. Todos os assuntos, toda a classe política.

Queixe-se que o autocarro demorou muito tempo, ou que o metro vinha cheio.Reclame com o preço dos medicamentos, dos livros da escola, das propinas da faculdade, e do preço da ração para o cão.

Critique tudo e mais alguma coisa. Critique até o que está bem. Aproveite, porque tem liberdade para o fazer. Faça-o em nome dos que não podem.

Disse Voltaire: “Discordo do que dizes; mas defenderei até à morte o direito de o dizeres.”.

Repórteres Sem Fronteiras

 

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