Ideias

“Eu conheço um país…”

Um texto de apelo ao patriotismo, pelo director-adjunto do jornal “Expresso”, que tem circulado na internet desde 2009. Patriotismo não é desfazermo-nos em lágrimas ao som o hino nacional; não é sofrer taquicardia quando joga a selecção nacional de futebol; não é fazer continências aos senhores almirantes, generais e comandantes das Forças Armadas.

Patriotismo é passar a olhar para as coisas positivas que o nosso país produz. O que faz falta é mudar mentalidades. É deixarmo-nos das características tipicamente associadas ao povo português: saudosismo, laissez-faire, nostalgia, saudade, “desenrascanço”, “fashionably late”, pessimismo.

Aceitar, de uma vez por todas, que Portugal tem o maior potencial de crescimento económico da Europa – ah!, se ao menos fosse bem gerido -, tendo em conta apenas a exploração de energias renováveis, turismo, um dos maiores espaços aéreos da Europa, bem como quilómetros de costa marítima, aliada a uma enorme área de navegação marítima internacional.

“Nicolau Santos, Director – adjunto do Jornal Expresso, In Revista Exportar

“Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.

Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.

Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.

Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.

Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.

Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os toda a EU.

Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.

Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agencia Espacial Europeia.

Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.

Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.

Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.

Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.

Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pelo Mundo.

O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive… Portugal.

Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses. Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d’Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

Há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a McDonalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo.

É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde… do que se atrasou em relação à média UE… etc.

Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.

É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.”

É verdade. Inventámos o a Via Verde. O Multibanco: podemos nos dirigir a qualquer ATM espalhada por este país fora, e levantar dinheiro, fazer transferências bancárias, carregar o telemóvel, entre outros serviços, isto tudo completamente grátis, e independentemente do banco a que a nossa conta está associada. Coisas que se tornaram tão banais, que deixaram de ter valor.

Fomos um dos primeiros países a abolir a pena de morte. Jacob Pereira aperfeiçoou  a primeira linguagem gestual para deficientes auditivos, adicionando mais de 30 sinais ao alfabeto manual de Bonet, e foi o primeiro a ensiná-la.
Inventámos a caravela.  Descobrimos o caminho marítimo para a Índia, China e Japão, estabelecemos a primeira rota comercial marítima do Oriente para a Europa. Fizemos do Brasil o que ele é hoje em dia.
Fomos os primeiros a utilizar o sal para preservar o bacalhau. Criámos a marmelada, alheiras e farinheiras. Pusemos o chá nas mesas nos gentlemen britânicos. Pioneiros na produção e conservação de vinho e azeite.
Pedro Nunes foi o primeiro a perceber que a trajectória de um barco que viaje sempre em frente, é uma espiral, e não uma circunferência; criou um instrumento de navegação que aperfeiçoava o astrolábio (do qual também fomos pioneiros, pelo menos após o século XV).
Egas Moniz inventou a lobotomia, um processo médico de conteúdo ético duvidoso, mas de importância inestimável para o estudo neurológico.
Fernando Pessoa criou o conceito de “heterónimo”.
Fomos percursores em instrumentos musicais: alaúde, gaita-de-foles, guitarra portuguesa, rabeca.
Introduzimos a prática recorrente de prestar homenagem a alguém, ou mostrar pesar por algum acontecimento, com um minuto de silêncio em eventos públicos.

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